[Festivais e Mostras] crítica: Tia Virgínia
- Lorenna montenegro
- 28 de out. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 4 de nov. de 2023
2023
Brasil
Direção: Fabio Meira
Famílias disfuncionais sempre rendem ótimos dramas no cinema, mesmo que no dia a dia não seja uma coisa muito bonita e vistosa a convivência cheia de crises. Mas quando se transpõe para um filme a liturgia entre três irmãs muito diferentes e que rivalizam pelas coisas mais banais, personagens inspiradas nas mulheres de sua própria família - e contando com atrizes inspiradas para interpretá-las, em especial aquela que representa a personagem-título, tudo se encaixa harmoniosamente.

Fábio Meira, diretor do ótimo As Duas Irenes, retorna seis anos depois com um filme sobre a família, porém dessa vez invés de mágoas entre pai e filhas, temos atritos entre irmãs. E uma Vera Holtz, premiada como melhor atriz no Festival de Gramado, em estado de graça.
Vamos ao enredo: Virgínia (Vera Holtz) é a filha que sobrou, aquela que não casou e ficou "pra tia", ainda sobrando para ela cuidar e viver em função da mãe, senil. Ela está de saco cheio e prestes a explodir na véspera de natal, quando vai receber para a ceia as famílias das irmãs e as próprias - Valquíria (Louise Cardoso) e Vanda (Arlete Salles). Nesse único dia, toda a trama e o drama de Tia Virgínia se desenrolam.
A partir das relações estremecidas das três, outro grupo de personagens vai orbitando ao redor delas e tornando a situação ainda mais tensa. Destaque para a veterana Vera Valdez como a matriarca e Antônio Pitanga como o marido de Vanda. A geografia da casa é bastante explorada tanto arquitetônica quanto dramaticamente na história, sendo as memórias remoidas por Virgínia, os traumas da adolescência e toda a disputa do presente atual, que a levam a eclodir.
A montadora Karen Akerman ajuda Fábio Meira a equilibrar com destreza os momentos mais leves e mais pesados de Tia Virgínia, tornando o filme num melodrama extremamente atento e afetuoso sobre os núcleos familiares. Afinal, é possível que irmãs se odeiem? Que todas sejam obcecadas pelo pai falecido e desprezem a mãe? Que Virgínia prefira ser julgada como louca do que seguir a vida em compasso de espera?
O climax é uma fabulosa epítome das rixas familiares em datas festivas, com Virgínia/Vera performando magnificamente um número musical, usando o mesmo vestido do baile de formatura no ensino médio (para espanto geral). Uma sequência de desastrosas tentativas de reconciliação que esbarram na natureza humana quebradiça. Tia Virgínia é imperdível.
Avaliação: ❤️❤️❤️❤️
*o coração cheio equivale a 2 e o coração pequeno equivale a 1. A maior pontuação são 5 corações cheios.



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